Como melhorar a relação entre motoristas e empresas com uma gestão transparente
- Kleiton Filhinho
- 17 de mar.
- 4 min de leitura
A relação entre motoristas e empresas de transporte é um pilar essencial para a eficiência operacional, a satisfação dos profissionais e o sucesso do negócio. No entanto, essa relação pode ser desafiada por desconfianças, falta de comunicação e uma percepção de controle excessivo ou injusto.
A transparência na gestão da jornada de trabalho é uma das ferramentas mais poderosas para transformar esse cenário. Mas, para que funcione de fato, é preciso ir além de soluções básicas como um simples controle de ponto. É necessário construir uma cultura de confiança, utilizando a tecnologia como aliada para equilibrar os interesses da empresa e dos motoristas.
Transparência não é apenas acesso a dados, mas sim interpretação justa
Muitas empresas acreditam que ser transparente significa simplesmente disponibilizar as informações sobre jornada de trabalho para os motoristas. No entanto, se os dados não forem apresentados de forma clara e justa, essa transparência se torna ineficaz e até prejudicial.
Um erro comum é a empresa monitorar a jornada e, ao detectar inconsistências, cobrar imediatamente o motorista sem considerar o contexto. Por exemplo, um atraso no início do expediente pode ser reflexo de uma falha mecânica do veículo, e não de negligência do motorista.
A transparência eficaz precisa vir acompanhada de um sistema que permita a interpretação do contexto e não apenas a exibição bruta de dados.
O perigo dos dados mal interpretados
Considere um motorista que fez uma pausa de 40 minutos fora do horário habitual. O gestor pode enxergar isso como um problema, mas se o sistema fornecer dados complementares, como uma marcação de parada próxima a um ponto de fiscalização da PRF, fica evidente que ele parou devido a uma inspeção obrigatória e não por desleixo.
A verdadeira transparência não está na exposição crua das informações, mas sim na capacidade de contextualizá-las para decisões mais justas.
A falsa sensação de controle e o impacto na confiança
Muitos gestores acreditam que um monitoramento rigoroso aumenta a produtividade dos motoristas. No entanto, um controle excessivo pode ter o efeito oposto, gerando um clima de tensão e desconfiança.
O dilema da vigilância total
Se o motorista sente que cada minuto da sua jornada está sendo analisado sem margem para compreensão, ele pode desenvolver um comportamento defensivo:
• Marcações forçadas: Registra horários de início e fim de jornada apenas para evitar problemas, sem que esses horários reflitam sua real atividade.
• Desmotivação e queda de produtividade: Ao sentir que está sempre sob suspeita, o profissional pode perder o engajamento com o trabalho.
• Desconexão emocional com a empresa: Se a relação for baseada apenas em controle e punição, a empresa deixa de ser um ambiente de crescimento para se tornar uma obrigação mecânica.
A verdadeira gestão eficiente não está no controle absoluto, mas sim na capacidade de alinhar expectativas e construir um ambiente onde o motorista confie que será avaliado de forma justa.
Como criar um ambiente de transparência saudável?
1. Compartilhamento ativo de informações
A empresa deve fornecer aos motoristas acesso fácil e compreensível aos dados de sua jornada. Isso não significa apenas permitir que eles vejam as marcações de ponto, mas também garantir que entendam como esses dados são usados na avaliação de seu desempenho.
Uma forma eficaz de fazer isso é por meio de relatórios detalhados e explicativos, que mostrem não apenas os registros, mas também o impacto dessas informações em sua rotina e remuneração.
2. Construção de uma comunicação de via dupla
A transparência não pode ser unilateral. É essencial criar um canal onde os motoristas possam contestar registros ou justificar marcações que, à primeira vista, pareçam irregulares.
Isso pode ser feito através de um sistema que permita que o motorista anexe justificativas a eventos específicos da jornada, evitando punições injustas.
Por exemplo, se um motorista ultrapassou seu tempo máximo de direção, ele deve ter um espaço para explicar que estava buscando um local seguro para parar. Esse tipo de funcionalidade demonstra que a empresa está interessada na realidade operacional e não apenas em números frios.
3. Alinhamento de expectativas desde o início
A transparência deve começar no momento da contratação e treinamento do motorista. Ele precisa saber como sua jornada será monitorada, quais critérios serão usados para avaliação e como pode se comunicar com a gestão para esclarecer dúvidas ou reportar dificuldades.
Isso evita surpresas desagradáveis e ajuda a criar um ambiente de trabalho onde os motoristas se sintam respeitados e valorizados.
4. Uso inteligente da tecnologia
Sistemas como o Sistema Boreal permitem uma abordagem moderna e transparente para o controle de jornada.
• Conexão com rastreador do veículo: Permite uma visão contextualizada das movimentações do motorista, evitando interpretações erradas.
• Eventos de jornada personalizáveis: Adaptam-se às diferentes operações e necessidades, garantindo que os dados reflitam a realidade do trabalho.
• Relatórios detalhados e intuitivos: Ajudam motoristas e gestores a enxergarem padrões e oportunidades de melhoria, em vez de apenas números e restrições.
A tecnologia deve ser um facilitador da transparência, não um instrumento de punição.
Conclusão: Transparência gera confiança, e confiança gera eficiência
Uma gestão de jornada transparente não significa apenas que a empresa vê tudo o que o motorista faz. Significa que o motorista também entende tudo o que a empresa vê e como essas informações são interpretadas.
Isso transforma a relação de trabalho, reduz atritos e aumenta a motivação dos profissionais. Motoristas que confiam na empresa tendem a ter um compromisso maior com a qualidade do serviço, o que se reflete diretamente na eficiência e nos resultados do negócio.
A tecnologia é uma aliada fundamental nesse processo, mas sua implementação deve ser acompanhada de uma mudança cultural dentro da empresa. Somente assim a transparência deixará de ser um discurso e se tornará um diferencial competitivo real.
Escrito por: Kleiton Filhinho - CEO e Engenheiro de Software na Boreal.
Siga a Boreal nas redes sociais para ficar por dentro de todas as novidades do setor logístico.
(19) 98904-8563

Comments